Sobre criminosos que querem ser pegos

Trabalho numa vara criminal. Essa semana me deparei com um caso de homicídio solucionado em tempo recorde. O corpo da vítima havia sido encontrado num local de difícil acesso, no meio de um matagal. Em menos de meia hora os policiais já estavam batendo à casa do suspeito. Sherlock Holmes na Polícia Civil de Pernambuco? Não. O gênio do crime deixou sua carteira de identidade próximo ao corpo.

Esse caso me lembrou de outros dois, que vi na imprensa, de bandidos que queriam ser pegos, só pode.

Mês passado, no Vale do Silício, os ladrões utilizaram a tecnologia – como não poderia deixar de ser naquela região – para facilitar o trabalho da polícia. Eles invadiram uma loja de eletrônicos e acharam que seria uma boa ideia furtar, entre outros equipamentos, uma caixa de localizadores por GPS. Os donos da loja acionaram os rastreadores e puderam informar à polícia a localização precisa dos espertalhões, que foram pegos ainda comemorando a empreitada.

O outro ladrão de que eu me lembrei foi pego mais rápido. Ele atuava no aeroporto de Sevilha, onde viu mais um grupo de passageiros distraídos e resolveu furtar a bolsa de um deles, que estava dando entrevista para alguns repórteres. O maloqueiro deu o bote e saiu correndo. Acontece que esse grupo era a equipe de atletismo dos Estados Unidos, que chegava para o mundial de 1999 com o homem mais rápido do mundo naquele momento. Maurice Greene fazia 100 metros em 9,79 segundos, mas não precisou de tudo isso para largar a entrevista e alcançar o ladrão. O coitado não sabe nem de onde veio o atropelamento que sofreu.

Thiago Amazonas de Melo


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