Poeira nos cantos

O tempo, na maior parte do tempo,
é traiçoeiramente discreto.
Ele sabe que, de pouquinho,
contado em minutos, em segundos,
não tem maior efeito.
Então, ele passa quietinho, de leve,
flutuando no sopro das horas,
como se se dissipasse na espuma dos dias.
Mas não: ele vai se acumulando em silêncio,
como poeira nos cantos.
Nem nos damos conta da sua existência,
até que, por exemplo, decidimos reler um livro há muito guardado
e encontramos uma foto antiga, escondida entre as suas páginas amareladas.
Assim, sem aviso prévio,
o peso de dez anos cai, de uma vez só, sobre a nossa cabeça.

 

Thiago Amazonas de Melo


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11 comentários sobre “Poeira nos cantos

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